quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Vós mi defendestes, senhor,
que nunca vos dissesse ren
de quanto mal mi por vós ven,
mais fazede-me sabedor,
por Deus, senhor, a quen direi
quan muito mal [lev' e] levei
por vós, se non a vós, senhor?

Ou a quen direi o meu mal,
se o eu a vós non disser?
Pois calar-me non m' é mester
e dizer-vo-lo non m' er val.
E, pois tanto mal sofr' assi,
se con vosco non falar i,
por quen saberedes meu mal?

Ou a quen direi o pesar
que mi vós fazedes sofrer,
se o a vós non for dizer,
que podedes conselh' i dar?
E, por en, se Deus vos perdon,
coita d'este meu coraçon,
a quen direi o meu pesar?

D. Dinis

2 comentários:

Rose Marinho Prado disse...

Ele não podia dizer nada, pois era um pobre vassalo e a Senhor , mulher do Dono do Feudo....


Pobre servo da Gleba. Às vezes, eu me confundo, um servo pode ser um Vassalo? Sim, quando ele sobe de posto, ou seja, quando se torna um defensor do palácio ou mesmo quando se põe a divertir as festas, aliás, bem pagãs.
Alguns, como Tristão, o da Isolda, dormiam ao pé da dama , o que atesta que eram mesmo uns cachorros e não, gente. Mas que ascendiam aos palácios isso sim.
Decerto mesmo na sociedade de castas havia a meritocracia, mas o esforço , no caso, vinha pela força física ou pelo manejo da viola e do canto.
E esse Senhor é engraçado...É Senhora mas quando ensino aos alunos uns ficam a pensar se eram gays os senhores da época..kkk

RAA disse...

Já havia na época, mesmo sem gay pride.
Pois, servo para ser vassalo, teria deixar de ser servo. Talvez passando a cavaleiro vilão...