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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

IRONIA

De tanto pensar na morte
Mais de cem vezes morri.
De tanto chamar a sorte
A sorte chamou-me a si.

Deu-me frutos duradoiros,
A paz, a fortuna, o amor.
As musas vieram pôr
Na minha fronte os seus loiros.

Hoje o meu sonho procura
Com saudade a poesia
Dos tempos em que eu sofria.

Que triste coisa a ventura!

Pedro Homem de Melo

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

HESITAÇÃO

De que serve a tão límpida balada
Que, na rua, cantemos? Pobre dela
Se há tanta gente a ouvi-la, disfarçada
Por detrás das cortinas da janela!

Pedem-me versos de tema triste.
-- Pagam? -- pergunto.
-- Sim.
-- Viva o talento!

E como a voz do mercador insiste,
Hesito entre um enterro e um casamento...

Pedro Homem de Melo