Mostrar mensagens com a etiqueta Gil Vaz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gil Vaz. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

ANDANTE

Além, ao largo, ligeiro...
Volta o navio.

Traz muitas léguas andadas,
Traz muitas tábuas quebradas
E muitas cordas partidas.
Certo dia perdeu vidas
Além, ao largo, ligeiro...
Vida dum raio!
Oh! fumos de marinheiro,
Hálitos rudes da onda,
Baloiço de Portugal!
Meu santo!
É ele o navio
Além, ao largo, ligeiro...

Eu digo
Não sei porquê
Que se parece comigo:
Noto-lhe as velas doiradas
Já no fio...
E rio...
Pois já se vê.
No entanto,
Volta e não volta
Baloiça o navio...
Além, ao largo, ligeiro...

1927
Gil Vaz

terça-feira, 30 de novembro de 2010

VIRGEM

Sobe, suave, solene coluna de fumo branco...

És vulto que se evapora,
És toda a alma que chora
Sem lágrimas, sem motivo,
Sem uma queixa
Aparente.
           Vivo!
           Em mim
           Existe
           Sòmente
           Uma tristeza
           Sem fim
           Que nem me deixa
           Ser triste
           Aos olhos da outra gente.

           Imagem
           Sempre em viagem,
           Minha impalpável riqueza.

Sobe, suave, solene coluna de fumo branco...

Lisboa,
1927


Gil-Vaz