sexta-feira, 1 de abril de 2011

A GARRAFA

Que importa o caminho
da garrafa que atirei ao mar?
Que importa o gesto que a colheu?
Que importa a mão que a tocou
          -- se foi criança
          ou o ladrão
          ou filósofo
          quem libertou a sua mensagem
          e a leu para si ou para os outros?

Que se destrua contra os recifes
ou role no areal infindável
ou volte às minhas mãos
na mesma praia erma donde a lancei
ou jamais seja por olhos humanos
que importa?

               ...se só de atirá-las às ondas vagabundas
          libertei meu destino
          da sua prisão?...

Manuel Lopes

2 comentários:

BLOG DA ASPE disse...

Belo poema A Garrafa
valeu por muitos barris
do vinho mais valioso
bebido lá em Paris
veio na sondas da net
e me tornou mais feliz.

gilberto_kardoso@hotmail.com

RAA disse...

Valeu!