terça-feira, 26 de abril de 2011

Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade
Quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada
Saía, dando ao mundo claridade,
Viu apartar-se de uma outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu lágrimas em fio,
Que de uns e de outro olhos derivadas
Se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela viu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio,
E dar descanso às almas condenadas.

Luís de Camões

4 comentários:

rose prado disse...

Camões é clássico, portanto, universal. Isso quer dizer que a presença do subjetivismo é ''dosada''. Aliás, só no romantismo é que esse paradigma será quebrado.

Mas ..confesso que se leio esse poema não deixo de ver a presença de um 'eu', de uma exacerbação do sentimentos, aí, presente nas metáforas.
Ou seja, tudo p dizer que eu tenho dificuldade de distinguir um texto clássico de outro que seja classificado como romântico ( retiro, claro, a forma, a construção do poema, que claramente se faz de modo clássico, seja por causa da métrica, ou da construção mais requintada).

RAA disse...

Concordo consigo. Para lá das convenções, o homem foi sempre presa das paixões. No XVI, no XVIII ou no XXI.

rose prado disse...

e...tudo é fingimento poético tb...Pq tudo é criação,além do sofrimento poético...Daí tb eu achar que tudo tem uma tendência para o universalismo, ainda que nem todos sejam universais.

RAA disse...

Sim, tudo é fingimento, lá dizia o outro.