Ó noite inolvidável
Feita abraço
Que nos misturou inteiramente
Até que o dorso da treva se vergou
E na face da idade embranqueceu.
Foi então
Que o manto fino da brisa
Tapou teus ombros, ó Noite,
Com a delicadeza do orvalho.
Ibn 'Abdun
(Adalberto Alves)
segunda-feira, 21 de março de 2011
Regaram-no as chuvas da abastança:
E saudosas frases me vêm à lembrança.
Cumes cobertos de moitas floridas
De bordados mantos sendas não esquecidas.
Sim, como esquecer-me das horas passadas
No tropel louco de ingénuas cavalgadas?
Ai como era doce esse meu folguedo,
Passarinho à toa esvoaçando ledo.
Dias tão felizes, bordados em flor,
Vento em minhas vestes murmurando amor.
Ibn 'Abdun
(Adalberto Alves)
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Eles lá vão, dando à noite brasa,
Das vestes do sono despojados.
Com húmidas penas e penugem de asa
Corvos da treva os têm abrigados.
Do nocturno ventre ao dorso do dia
Ascendem possuídos de tenaz alento.
Que têm para o medo e para a noite fria?
Couraças de treva, garanhões de vento.
Se perdidos fossem na noite cerrada
O fulgor de 'Umar mostraria a estrada.