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terça-feira, 20 de setembro de 2011

O crítico tem alma de camelo:
frutas e flores, eis o que el' não come.
No florido jardim do doce néctar,
se não vê espinhos, morrerá de fome.

poema sânscrito anónimo

(Jorge de Sena)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

AQUELE QUE PASSA

O desconhecido que passa e te acha ainda digna de uma fugidia palavra de desejo,
Talvez porque na sombra da noite tão doce de Maio
Ainda resplendem teus olhos, ainda tem vinte anos a ligeira figuras deslizante,
Não sabe que foste amada, por aquele que amaste amada, em plena e soberba delícia de
                                                                                                                              [amor,
E em ti não há membro ou ponta de carne ou átomo de alma que não tenha uma marca de
                                                                                                                              [amor.
Que tu viveste apenas para amar aquele que te amava,
E nem que quisesses podias arrancar de ti essa veste que o amor teceu.
Ele, ignaro, em ti já não bela, em ti já não jovem, saúda a graça do deus:
Respira, passando em ti, jão não bela, em ti já não jovem, o aromo precioso do deus:
Só porque o levas contigo, doce relíquia à sombra de um sacrário.

Ada Negri

(Jorge de Sena)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O que te leva, rio, a todos leva em si.
Aceita com coragem males e desgraças.
Em vão lutas e gritas, pois por mais que faças
aquel' que a todos leva, também leva a ti.

Paladas de Alexandria

(Jorge de Sena)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

HENRY LAYTON

Quem quer que sejas que aqui passas
sabe que meu pai era um carácter doce
e minha mãe violenta,
pelo que nasci feito de duas metades opostas
não misturadas nem fundidas,
mas diversas, e fràgilmente uma à outra soldadas.
Alguns de vós viram-me ser doce
outros violento
outros as duas coisas.
Mas não foi nenhuma das metades o que acabou comigo.
Foi o cair delas cada uma para seu lado.
nunca parte uma da outra,
o que me transformou numa vida sem alma.

Edgar Lee Masters

(Jorge de Sena)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Da Morte o gado somos, matadouro a vida.
A morte nos abate -- sabe Deus porquê.

Paladas

(Jorge de Sena)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

POLÍTICA

No nosso tempo, o destino do homem propõe o seu sentido em termos de política. (Thomas Mann)

Com esta rapariga ali especada
Como posso eu atentar
Em políticas romanas
Ou russas ou espanholas?
Quem fala é homem viajado
Que há-de saber o que diz,
E muito lido político
Que tudo meditou bem.
Será verdade o que dizem
De guerras e mais desgraças.
Mas quem me dera ser jovem
Com aquela nos meus braços!

Yeats

(Jorge de Sena)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A PÓSTUMO

Viverás amanhã, sempre me dizes, Póstumo.
Esse amanhã, ó Póstumo, quando virá?
Quão longe mora? E aonde está? Onde buscá-lo?
Esse amanhã mais velho é que Nestor ou Príamo.
Esse amanhã tem preço? Qual o preço? Diz-me.
Viverás amanhã. E viver hoje é tarde.
Aquele é sage, ó Póstumo, que ontem viveu.

Marcial

(Jorge de Sena)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

ORAÇÃO DO ATEU

Ouve meu rogo, Deus que não existes,
em teu nada recolhe as minhas queixas.
Tu, que aos homens mais pobres nunca deixas
sem consolo de enganos. Não resistes

a nosso rogo, e ao nosso anseio assistes.
Quando da minha mente mais te afastas,
eu mais recordo essas palavras castas
com que embalou minha ama as noites tristes.

Que grande és tu, meu Deus! Tu és tão grande
que não passas de Ideia; e é tão estreita
a realidade mesmo se se expande

para abarcar-te. Sofro à tua espreita,
inexistente Deus. Pois se viveras
existiria eu também deveras.

Miguel de Unamuno

(Jorge de Sena)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Alongado no leito, e a noite silenciosa,
Mal eu cansados olhos ao repouso dava,
Quando o cruel Amor me agarra p'los cabelos,
Me acorda e manda que em su' honra eu vele.
«Ó escravo meu, me diz, ó tu que a mil amaste,
Sòzinho jazes só, ó duro peito, aqui?»
Descalço e semi-nu, atiro-me p'ra fora,
Pelos caminhos vou, sem que caminho encontre.
E sigo sempre, e paro, e no parar hesito
Entre a vergonha de ir e o tédio de voltar.
Calam-se humanas vozes, e da rua os ruídos,
Ave nenhuma canta, e sequer ladram cães.
De tudo, apenas eu me atrevo a estar desperto,
Obedecendo ao império, Grande Amor, de ti.

Petrónio

(Jorge de Sena)

terça-feira, 31 de maio de 2011

A SERPENTE

Muito comprida.

Jules Renard
(Jorge de Sena)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

É um mal a morte,
E os deuses assim pensam:
Ou já estariam mortos,
Há muito, muito tempo...

Safo

(Jorge de Sena)

O CORVO

-- Quê? quê? quê?...
-- Nada.

Jules Renard
(Jorge de Sena)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Se me amas busca juvenil amor
Que contigo partilhe a vida e o lar:
Sequer posso pensar em que seria
A amante velha de um marido jovem.

Safo

(Jorge de Sena)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A BALEIA

Tem na boca barbas de sobra para fazer um espartilho. Mas com aquela
                                                                                                   [cintura!...
Jules Renard

(Jorge de Sena)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O amor -- súbita brisa
Que nas folhas tropeça --
Meu coração deixou
Tremente.

Safo

(Jorge de Sena)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O PIRILAMPO

Que se passa? Nove horas da noite, e há luz ainda em casa dele?

Jules Renard

(Jorge de Sena)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A mim o que me mata,
querido efebo, digo-te:
desejo sem prazer,
versos sem graça ou ritmo,
e ceias só com chatos.

Arquíloco

(Jorge de Sena)

terça-feira, 5 de abril de 2011

A ARANHA

Uma pequenina mão negra e peluda crispada em cabelos.
Toda a noite, em nome da lua, apõe os seus selos.

Jules Renard

(Jorge de Sena)

segunda-feira, 28 de março de 2011

De um Trácio é agora o meu belo escudo.
Que havia eu de fazer? Perdi-o na floresta-
Mas salvei a minha pele, no aceso da luta.
Sei bem onde comprar um escudo novo.

Arquíloco

(Jorge de Sena)

sexta-feira, 25 de março de 2011

De manhã, pela manhã,
No feliz campo de feno,
Oh, fitaram-se um ao outro
À luz do dia sereno.

Na manhã de azul e prata
Sobre o feno se deitavam,
Oh, fitaram-se um ao outro,
E seus olhares desviavam.

A. E. Housman


(Jorge de Sena)