silva
Nunca escutei voz de gente. / Em verdade sou muito pobre. - Carlos Drummond de Andrade
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Maria Teresa Horta
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
JÚBILO
Há um presságio de júbilo
à sua beira, um tecido
na trama do contrário
Uma rosa de mar
na sua esteira, uma espécie
de ardil em seu afago
Um modo
Um todo
Uma maneira
De misturar
o doce
e o amargo
Maria Teresa Horta
sábado, 2 de abril de 2011
PENUMBRA FACETADA
arcadas louras
no espanto das
praias
que deusas inclinadas
no flanco da noite
incendiada
ofereciam às luas
no entontecimento
dos lábios
só o esquecimento
nos lagos
candelabros na loucura
de pianos
ansiosamente raros
nos olhos facetados
de penumbra
só o esquecimento
no espelho inicial
esquinas dormentes
nos beijos
que espadas
enviaram ao poente
levemente saqueado
de brisa
precisamente como
duas aves
no mastro principal
do navio
Maria Teresa Horta
domingo, 20 de março de 2011
MINHA SENHORA DE MIM
Comigo me desavim
minha senhora
de mim
sem ser dor ou ser cansaço
nem o corpo que disfarço
Comigo me desavim
minha senhora
de mim
nunca dizendo comigo
o amigo nos meus braços
Comigo me desavim
minha senhora
de mim
recusando o que é desfeito
no interior do meu peito
Maria Teresa Horta
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
SEGREDO
Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
Maria Teresa Horta
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
REGRESSO
Regresso para mim
e de mim falo
e desdigo de mim
em reencontro
os pontos
um por um:
o sol
os braços
a boca
o sabor
ou os meus ombros
Trago para fora
o que é secreto
vantagem de saudade
o que é segredo
Retorno para mim
e em mim toda
desencontro já o meu regresso
Maria Teresa Horta
sexta-feira, 10 de abril de 2009
NOITE
De noite só quero vestido
o tecido dos teus dedos
e sobre os ombros a franja
do final dos cabelos
Sobre os seios quero
a marca
do sinal dos teus dentes
e a vergasta dos teus
lábios
a doer-me sobre o ventre
Nas pernas e no pescoço
quero a pressão mais
ardente
e da saliva o chicote
da tua língua dormente
Maria Teresa Horta
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