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quinta-feira, 2 de junho de 2011

JÚBILO

Há um presságio de júbilo
à sua beira, um tecido
na trama do contrário

Uma rosa de mar
na sua esteira, uma espécie
de ardil em seu afago

Um modo
Um todo
Uma maneira

De misturar
o doce
e o amargo

Maria Teresa Horta

sábado, 2 de abril de 2011

PENUMBRA FACETADA

arcadas louras
no espanto das
praias
que deusas inclinadas
no flanco da noite
incendiada
ofereciam às luas
no entontecimento
dos lábios

só o esquecimento
nos lagos

candelabros na loucura
de pianos
ansiosamente raros
nos olhos facetados
de penumbra

só o esquecimento
no espelho inicial

esquinas dormentes
nos beijos
que espadas
enviaram ao poente
levemente saqueado
de brisa
precisamente como
duas aves
no mastro principal
do navio

Maria Teresa Horta

domingo, 20 de março de 2011

MINHA SENHORA DE MIM

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

sem ser dor ou ser cansaço
nem o corpo que disfarço

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

nunca dizendo comigo
o amigo nos meus braços

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

recusando o que é desfeito
no interior do meu peito

Maria Teresa Horta

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

SEGREDO

Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar

Maria Teresa Horta

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

REGRESSO

Regresso para mim
e de mim falo
e desdigo de mim
em reencontro

os pontos
um por um:

o sol
os braços

a boca
o sabor

ou os meus ombros

Trago para fora
o que é secreto
vantagem de saudade
o que é segredo

Retorno para mim
e em mim toda
desencontro já o meu regresso

Maria Teresa Horta

sexta-feira, 10 de abril de 2009

NOITE

De noite só quero vestido
o tecido dos teus dedos

e sobre os ombros a franja
do final dos cabelos

Sobre os seios quero
a marca
do sinal dos teus dentes

e a vergasta dos teus
lábios
a doer-me sobre o ventre

Nas pernas e no pescoço
quero a pressão mais
ardente

e da saliva o chicote
da tua língua dormente

Maria Teresa Horta