Mostrar mensagens com a etiqueta E. M. de Melo e Castro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta E. M. de Melo e Castro. Mostrar todas as mensagens

domingo, 16 de janeiro de 2011

AS PALAVRAS SÓ-LIDAS

As palavras só lidas são palavras
ler é um processo
de
        liquefação/solidificação

e não é só letrar as letras
dentro das memórias.

é também disjuntá-las
        que diz juntas
        se dizem de sentidos
                              novas.

E. M. de Melo e Castro

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

TRANSCONSCIÊNCIA

Vem.
Cada momento novo foi vivido
e vem de outras nebulosas.
Segue.
Cada momento segue
para ser esgotado por outros seres
em outros universos.
Que recordações e que ansiedades
terão os momentos que vivo?
Às vezes sinto a ancestralidade
de cada momento
como se remotamente reconhecesse
uma coisa feita e esquecida.
Sei de outras atmosferas.
Sei que não pára aqui o renovar.
Sei que a emoção é eterna.
(não tem princípio
nem se dissolverá no vácuo)
-- Sem darem por isso,
os homens transcendem-se todos os dias.

E. M. de Melo e Castro

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

INQUIETAÇÃO

Como por uma fenda no tempo
diviso as sombras do que vem depois,
e tenho medo de dizer que entendo
o que está escrito para lá de agora.

E tenho medo como uma criança
que nem do que é agora sabe nada,
por isso me assusta esta esperança
de ver romper a madrugada.

Navegantes do céu e das estrelas,
dizei-me, ao menos uma vez,
não mais as canções belas,
mas apenas se o que será
é tão como o que vejo
pela fenda no espaço,
pela fenda do desejo...

E. M. de Melo e Castro

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Autologia

autor: E. M. de Melo e Castro (Covilhã, 1932)
título: Autologia
subtítulo: Poemas Escolhidos -- 1951-1982
prefácio: Fernando Segolin
edição: 1.ª
colecção: «Círculo de Poesia»
editora: Moraes Editores
local: Lisboa
ano: 1982
págs.: 239
dimensões: 19,8x15,4x1 (brochado)
composição: Linopazas
montagem: Ampligrafe
impressão: Moraes Editores

sábado, 26 de julho de 2008