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terça-feira, 19 de outubro de 2010

As árvores são lugares imensos, como pálios
dobrados sobre o tempo. Creio que existem
como mutação da realidade, como o movimento
imperceptível de Deus sobre as águas. Existem
expostas à erosão, na curvatura quebrada
da superfície, no sacrário de uma natureza ferida.

Existem como uma porção infinitesimal da alegria
do mundo. Depois morrem sem que ninguém perceba
e a sua sombra perdura à morte, à decomposição lenta
das suas estruturas silenciosas como abismos,
indecifráveis como mistérios antigos, extensíveis
como os braços de Deus em combustão.

José Rui Teixeira

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Corria junto aos ciprestes nas manhãs
de inverno. Roubava ao jardim punhados
de terra para saciar a fome, mas não mexia
nos mortos. Ainda não sabia nada sobre
os pecados mortais nem sobre a ciência
circunscrita dos venenos, coisas mais veniais
ainda. Não conhecia os lugares do medo
e pensava no dia e na noite como realidades
ontológicas. Mas tu disseste-me: a rotação
é o movimento de um corpo em torno
de um eixo. Nesse dia percebi que morremos
como as árvores e que são breves os dias.

José Rui Teixeira