segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Desprezei toda a paixão
Era bem moço eu ainda então.
O Tempo me açoitou
E só cãs e velhice me deixou.

Depois, já fora de estação,
Entreguei-me nos braços da paixão.

Ah nascera eu na decrepitude
P'ra regressar depois à juventude!

Ibn 'Ayyas al-Yaburi

(Adalberto Alves)

2 comentários:

rose prado disse...

Jogo de ideia bem primoroso. E o tempo é o culpado...Aí o verbo 'açoitar'.

Mas é o tempo o ''mote'' do texto porque se açoita também faz mágica, isso, por causa do paradoxo aí implícito, o ser jovem na velhice e antes, ser velho na juventude.

Poema subjetivo e universal.


O que me encanta nos poemas nem é o trabalho de forma mas a surpresa que ele emana. É o já sabido , mas misteriosamente revelado por meio dum outro e novo arranjo.

RAA disse...

Primoroso o comentário, Rose.