autor: Curvo Semedo (Montemor-o-Novo, 1766 - Lisboa, 1838)
título: Fábulas
prefácio: H. Zeferino de Albuquerque
colecção: Livros de Bolso Europa-América #395
editora: Publicações Europa-América
local: Mem Martins
ano: s. d.
págs.: 167
dimensões: 17,9x11,4x0,9 cm. (brochado)
impressão: Gráfica Europam, Mira-Sintra
Mostrar mensagens com a etiqueta «para todos». Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta «para todos». Mostrar todas as mensagens
domingo, 26 de junho de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
ERA UMA VEZ...
À noite para adormecer
O lobinho na floresta,
A mãe loba conta histórias
E outro dia contou esta
O Capuchinho Vermelho
Certo dia, indo só
Atravessou a floresta
P'ra ir visitar a avó
Entreteve-se a falar
Com uns bichos brincalhões
Apareceu um grande lobo
E viu-se em complicações
E a mãe loba terminou
A história já conhecida
Em que o lobo por ser mau
Com um tiro perde a vida
Assustadinho a valer
Diz que já não quer crescer
Deitadinho ao pé da mãe
É que o lobinho está bem.
O lobinho na floresta,
A mãe loba conta histórias
E outro dia contou esta
O Capuchinho Vermelho
Certo dia, indo só
Atravessou a floresta
P'ra ir visitar a avó
Entreteve-se a falar
Com uns bichos brincalhões
Apareceu um grande lobo
E viu-se em complicações
E a mãe loba terminou
A história já conhecida
Em que o lobo por ser mau
Com um tiro perde a vida
Assustadinho a valer
Diz que já não quer crescer
Deitadinho ao pé da mãe
É que o lobinho está bem.
Isabel Lamas
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
Isabel Lamas
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O CORVO
-- Quê? quê? quê?...
-- Nada.
-- Nada.
Jules Renard
(Jorge de Sena)
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
«traições»,
Jorge de Sena-tradutor,
Jules Renard
quinta-feira, 5 de maio de 2011
A BALEIA
Tem na boca barbas de sobra para fazer um espartilho. Mas com aquela
[cintura!...
[cintura!...
Jules Renard
(Jorge de Sena)
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
«traições»,
Jorge de Sena-tradutor,
Jules Renard
quinta-feira, 21 de abril de 2011
LULLABY
Passarinho pequenino,
que dizes tu, tão cedinho?
Quero voar, minha mãe,
quero voar deste ninho...
Passarinho, passarinho,
-- meu tontinho! --
Deixa as penas crescer bem,
logo no ar te sustém...
Bebèzinho pequenino,
que palras tu, tão cedinho?
Quero correr, minha mãe,
voar como o passarinho...
Bebèzinho, bebèzinho,
-- meu tontinho!
Dorme um pouco mais, meu bem...
Cedo voarás, também...
que dizes tu, tão cedinho?
Quero voar, minha mãe,
quero voar deste ninho...
Passarinho, passarinho,
-- meu tontinho! --
Deixa as penas crescer bem,
logo no ar te sustém...
Bebèzinho pequenino,
que palras tu, tão cedinho?
Quero correr, minha mãe,
voar como o passarinho...
Bebèzinho, bebèzinho,
-- meu tontinho!
Dorme um pouco mais, meu bem...
Cedo voarás, também...
Tennyson
(Luís Cardim)
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
«traições»,
Alfred Lord Tennyson,
Luís Cardim-tradutor
sexta-feira, 15 de abril de 2011
O PIRILAMPO
Que se passa? Nove horas da noite, e há luz ainda em casa dele?
Jules Renard
(Jorge de Sena)
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
«traições»,
Jorge de Sena-tradutor,
Jules Renard
terça-feira, 5 de abril de 2011
A ARANHA
Uma pequenina mão negra e peluda crispada em cabelos.
Toda a noite, em nome da lua, apõe os seus selos.
Toda a noite, em nome da lua, apõe os seus selos.
Jules Renard
(Jorge de Sena)
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
«traições»,
Jorge de Sena-tradutor,
Jules Renard
domingo, 6 de março de 2011
REGIME ALIMENTAR
Há animais herbívoros,
há plantas carnívoras
e há pessoas pagívoras.
Como...?! Como...?!
Comem de entrada um acepipe:
um livro fresco de poemas.
Depois como prato principal,
um dicionário bem recheado.
E, à sobremesa, um livro infantil ilustrado.
Este regime alimentar, à base de massa
folhada e paginada, é bastante salutar:
não há registo de pagívoros enfartados ou adoentados.
há plantas carnívoras
e há pessoas pagívoras.
Como...?! Como...?!
Comem de entrada um acepipe:
um livro fresco de poemas.
Depois como prato principal,
um dicionário bem recheado.
E, à sobremesa, um livro infantil ilustrado.
Este regime alimentar, à base de massa
folhada e paginada, é bastante salutar:
não há registo de pagívoros enfartados ou adoentados.
Teresa Guedes
Etiquetas:
«para todos»,
Teresa Guedes
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
(VERSOS A UMA CABRINHA QUE EU TIVE)
Com seu focinho húmido
Esta cabrinha colhe
Qualquer sinal de noite
De que a erva se molhe.
Daquela flor pendente
Pra que seu passo apela
Parece que a semente
É o badalinho dela.
Sua pelerina escura
Vela-a da noite sentida;
Tem cada pêlo uma gota,
Com passos, poeira, vida.
De silêncio, silvas, fome,
Compõe nos úberes cheios
Toda a razão do seu nome
E fruto de seus passeios.
Assim já marcha grave
Como os navios entrando,
Pesada dos pensamentos
Da sua vida suave.
E enfim, no puro penedo
De seus casquinhos tocado,
Está como o ovo e a ave:
Grande segredo
Equilibrado.
Esta cabrinha colhe
Qualquer sinal de noite
De que a erva se molhe.
Daquela flor pendente
Pra que seu passo apela
Parece que a semente
É o badalinho dela.
Sua pelerina escura
Vela-a da noite sentida;
Tem cada pêlo uma gota,
Com passos, poeira, vida.
De silêncio, silvas, fome,
Compõe nos úberes cheios
Toda a razão do seu nome
E fruto de seus passeios.
Assim já marcha grave
Como os navios entrando,
Pesada dos pensamentos
Da sua vida suave.
E enfim, no puro penedo
De seus casquinhos tocado,
Está como o ovo e a ave:
Grande segredo
Equilibrado.
Vitorino Nemésio
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
Vitorino Nemésio
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
LA CIGALE
L'air est si chaud que la cigale,
La pauvre cigale frugale
Qui se régale des chansons,
Ne fait plus entendre les sons
De sa chansonette inégale;
Et, rêvant qu'elle agite encor
Ses petits tambourins de fée,
Sur l'écorce des pins, chaufée,
Où pleure une résine d'or,
Ivre de soleil, elle dort.
La pauvre cigale frugale
Qui se régale des chansons,
Ne fait plus entendre les sons
De sa chansonette inégale;
Et, rêvant qu'elle agite encor
Ses petits tambourins de fée,
Sur l'écorce des pins, chaufée,
Où pleure une résine d'or,
Ivre de soleil, elle dort.
Paul Arène
Etiquetas:
«babélia»,
«bichos»,
«para todos»,
«seiva»,
Paul Arène
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
O GAIO E O PAPAGAIO
Não sei quem teve a ideia
de contar a um velho gaio
que outra ave papagueia
e se chama papagaio.
Disse o gaio: «Papa-quê?»
Disse o outro: «Papa-gaio!»
Disse o gaio: «Pois você
diga lá a esse bicho
que, se não muda de nome,
não me escapa, ainda o lixo;
que um gaio tem muita fome,
que sou um papão de um raio,
que este velho gaio o papa,
que sou papa-papagaio.»
Quando isto contaram a
um medroso papagaio,
gaguejou: «Eu... sou... pa... pa...»
e depois teve um desmaio.
Engasgou-se a rir, o gaio,
do desmaio do papagaio.
de contar a um velho gaio
que outra ave papagueia
e se chama papagaio.
Disse o gaio: «Papa-quê?»
Disse o outro: «Papa-gaio!»
Disse o gaio: «Pois você
diga lá a esse bicho
que, se não muda de nome,
não me escapa, ainda o lixo;
que um gaio tem muita fome,
que sou um papão de um raio,
que este velho gaio o papa,
que sou papa-papagaio.»
Quando isto contaram a
um medroso papagaio,
gaguejou: «Eu... sou... pa... pa...»
e depois teve um desmaio.
Engasgou-se a rir, o gaio,
do desmaio do papagaio.
Leonel Neves
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
Leonel Neves
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
ALFORRECA E FANECA
Pobre de mim, tão Faneca,
Alforreca me fascina.
Sigo atrás da sua coroa,
dos seus terríveis cabelos
de gelatina e de prata:
só o vê-los me atordoa,
só o tocá-los me mata.
Alforreca me fascina.
Sigo atrás da sua coroa,
dos seus terríveis cabelos
de gelatina e de prata:
só o vê-los me atordoa,
só o tocá-los me mata.
Violeta Figueiredo
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
Violeta Figueiredo
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
O ACENDEDOR DE LAMPIÕES
De tanto bater à porta
Da noite que à noite cai,
Ninguém com ele se importa
Nas ruas por onde vai.
De volta a casa, não diz
Como aprendeu a acender
Estrelas que o fazem feliz
Porque não querem morrer.
Da noite que à noite cai,
Ninguém com ele se importa
Nas ruas por onde vai.
De volta a casa, não diz
Como aprendeu a acender
Estrelas que o fazem feliz
Porque não querem morrer.
Vergílio Alberto Vieira
Etiquetas:
«noite»,
«para todos»,
Vergílio Alberto Vieira
PAZ
Quem se zangou com as oliveiras?
Porque as abanam tanto?
Pronto, já caíram as azeitonas.
As pessoas apanham-nas como jóias.
Mas uma ficou esquecida:
na árvore, exausta e feliz,
ela adormece suavemente.
Porque as abanam tanto?
Pronto, já caíram as azeitonas.
As pessoas apanham-nas como jóias.
Mas uma ficou esquecida:
na árvore, exausta e feliz,
ela adormece suavemente.
Teresa Guedes
Etiquetas:
«para todos»,
«seiva»,
Teresa Guedes
sábado, 9 de outubro de 2010
SONHO
Durante a noite
A Luísa sonhou
Que um Caracol
Assim lhe falou:
-- Vem Luisinha
Vem passear.
-- E se chover
Para me abrigar?
-- Não tenhas medo, Luisinha
Podes entrar
Na minha casinha.
-- Senhor Caracol
Eu sou muito alta
É outra casinha
Que me faz falta.
O Caracol estremeceu
E um belo palácio
Apareceu!
A Luisinha
Não pode crer
No que os seus olhos
Estão a ver.
O Caracol
foi transformado
Num belo príncipe ali a seu lado
Que à Lusinha fala de amor
Mas nisto... Toca o despertador!
A Luísa sonhou
Que um Caracol
Assim lhe falou:
-- Vem Luisinha
Vem passear.
-- E se chover
Para me abrigar?
-- Não tenhas medo, Luisinha
Podes entrar
Na minha casinha.
-- Senhor Caracol
Eu sou muito alta
É outra casinha
Que me faz falta.
O Caracol estremeceu
E um belo palácio
Apareceu!
A Luisinha
Não pode crer
No que os seus olhos
Estão a ver.
O Caracol
foi transformado
Num belo príncipe ali a seu lado
Que à Lusinha fala de amor
Mas nisto... Toca o despertador!
Isabel Lamas
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
Isabel Lamas
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
O Menino e as Estrelas
autor: Leonel Neves (Faro, 1921)
colecção: «Pássaro Livre» #14
editora: Livros Horizonte
local: Lisboa
ano: 1979
capa e ilustrações: Tòssan
págs.: 29
dimensões: 22,9x15,5x0,4 cm (brochado)
impressão: Altagráfica, Mafra
colecção: «Pássaro Livre» #14
editora: Livros Horizonte
local: Lisboa
ano: 1979
capa e ilustrações: Tòssan
págs.: 29
dimensões: 22,9x15,5x0,4 cm (brochado)
impressão: Altagráfica, Mafra
Etiquetas:
«para todos»,
«teoria das fontes»,
Leonel Neves
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
CANÇÃO DE LEONORETA
Borboleta, borboleta,
flor do ar,
onde vais, que me não levas?
Onde vais tu, Leonoreta?
Vou ao rio, e tenho pressa,
não te ponhas no caminho.
Vou ver o jacarandá,
que já deve estar florido.
Leonoreta, Leonoreta,
que me não levas contigo.
flor do ar,
onde vais, que me não levas?
Onde vais tu, Leonoreta?
Vou ao rio, e tenho pressa,
não te ponhas no caminho.
Vou ver o jacarandá,
que já deve estar florido.
Leonoreta, Leonoreta,
que me não levas contigo.
Eugénio de Andrade
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
Eugénio de Andrade
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
A ÍBIS
A íbis, a ave do Egipto
Pousa sempre sobre um só pé
O que é
Esquisito:
É uma ave sossegada
Porque assim não anda nada.
Pousa sempre sobre um só pé
O que é
Esquisito:
É uma ave sossegada
Porque assim não anda nada.
Fernando Pessoa
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
Fernando Pessoa
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
CÃOZINHO
Eu tenho um cão
muito pequenino
que me cabe na mão
e não é ladino...
Só se põe a correr
se o seu menino
lhe mexer...
Não come carne nem peixe
mesmo que o deixe...
Nem trinca chocolates e bolos
como os cães tolos...
Nem come sopinha
por mais que lha dê...
E não bebe leite
antes que se deite
na sua caminha...
E que coma açorda
ninguém se recorda...
Nem papa farinha...
E sabem porquê?
Ninguém adivinha?
-- é que o patetinha
é um cão de corda.
muito pequenino
que me cabe na mão
e não é ladino...
Só se põe a correr
se o seu menino
lhe mexer...
Não come carne nem peixe
mesmo que o deixe...
Nem trinca chocolates e bolos
como os cães tolos...
Nem come sopinha
por mais que lha dê...
E não bebe leite
antes que se deite
na sua caminha...
E que coma açorda
ninguém se recorda...
Nem papa farinha...
E sabem porquê?
Ninguém adivinha?
-- é que o patetinha
é um cão de corda.
Sidónio Muralha
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
Sidónio Muralha
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
BOA NOITE
A zebra quis
ir passear
mas a infeliz
foi para a cama
-- teve de se deitar
porque estava de pijama.
ir passear
mas a infeliz
foi para a cama
-- teve de se deitar
porque estava de pijama.
Sidónio Muralha
Etiquetas:
«bichos»,
«para todos»,
Sidónio Muralha
Subscrever:
Mensagens (Atom)
