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sexta-feira, 8 de julho de 2011

NOITES DE MACAU (2)

Na boca da noite os minerais
disfarçam sorrisos,
gestos hábeis,
em camas de cetim.
O ouro e a prata deslizam
para lugares mais secretos,
rivalizam com o jade, o dragão,
retiram o calar da noite,
vestem-se dele,
mandarins de botão vermelho
e pena de pavão.

António Augusto Menano

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A NOITE DAS CIDADES

Repousa nas mãos o sangue pronto
a libertar o cântico exigente,
aqui nada é tão de aço como o ódio
e o homem crucificado
mente.

Repousa o sangue
alongando a cor
ao choro que unicamente
a noite abraçada à lua
consente.

E dentro desta noite igual a tantas outras
existem bocas tristes que não cantam
e alongam, amigas,
a lição das aves suicidas
que à gaiola preferem a morte
revoltada.

Aves diariamente insignificantes
(diárias como tudo o que é simples)
que repousam na mão o sangue pronto
a correr,
vermelho pelas ruas da cidade.

António Augusto Menano

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

NOITES DE MACAU (1)


Da boca da noite soltam-se as sombras,
encostam-se aos muros,
deitam-se no asfalto.
Por vezes atravessam as ruas
a correr.
Junto ao Lou Lim Leoc
eu vi duas mulheres
saírem de uma casa
cor de rosa.
Gritavam aos deuses tailandeses,
traziam os cabelos soltos,
e choravam.

António Augusto Menano