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sexta-feira, 8 de abril de 2011

NOITE DE VERÃO

De súbito, a lua japonesa
desenha na janela
as três colinas dum hai-kai;
e vê-se então
que a sua luz, o círculo
cortado ao meio
no horizonte de cimento,
basta para tornar o ar oxidado
quase cor de rosa;
assim se aprende,
ao anoitecer, como o verão
escreve cidades mais legíveis;
embora breves; sobre
alicerces que flutuam
em torno do leitor nocturno,
e são talvez a imagem
do meio círculo que falta
à lua, no horizonte.

Carlos de Oliveira

sábado, 30 de outubro de 2010

INFÂNCIA II



Tão pequenas
a infância, a terra.
Com tão pouco
mistério.

Chamo às estrelas
rosas.

E a terra, a infância,
crescem
no seu jardim
aéreo.

Carlos de Oliveira

sábado, 21 de março de 2009

RUMOR DE VENTO AO CREPÚSCULO

A juventude duma olaia:
passou o vento
e levantou-lhe a saia.

Que ficou desse amor
mais que o rumor do vento?
Ou mais do que perder
nos longes da campina
o subtil rumor
que foge e não se esquece?

Violada se debruça
a noiva vegetal
agora que anoitece.

Carlos de Oliveira

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

SONO

Dormir
mas o sonho
repassa
duma insistente dor
a lembrança
da vida
água outra vez bebida
na pobreza da noite:
e assim perdido
o sono
o olvido
bates, coração, repetes
sem querer
o dia.

Carlos de Oliveira

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

PROVÉRBIO

A noite é a nossa dádiva de sol aos que vivem do outro lado da Terra.

Carlos de Oliveira