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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

L'ISLE JOYEUSE

Ó festa de luz de mar tranquilo
De casas brancas dum branco rosa
Dum tempo antigo que aqui ficou

Ó ilha pura incandescente
Que me geraste três vezes mãe
Três vezes para mim sagrada
Por teres deuses tão variados
Por seres livre da liberdade
Que os deuses gregos orientais
Marcaram a fogo um fogo alegre
Naqueles seres naquelas ilhas
Que eles nomeiam seus próprios filhos
Por motivos sobrenaturais

Ilha de Moçambique, 1-3-1963

Alberto de Lacerda

terça-feira, 23 de agosto de 2011

REGRESSO

Não vim à procura de nada
Nem de saudades que não tenho
Nem de carga do tempo perdido
Nem de conflitos sobrenaturais
Do tempo e do espaço

Amei desde criança
Certas coisas que não choro
Fui a pureza deslumbrada que não volta jamais
O vidro sem ranhura que o sol atravessa
A pureza
Que me deixou feridas imortais

Vim para ver
Para ver de novo
Para contemplar sem perguntas

Não vim à procura de nada
Não me perguntem por nada
Um rio não se interroga
O vento não se arrepende

Vila Cabral, 22-2-63

Alberto de Lacerda

quinta-feira, 30 de junho de 2011

AO LONGE, A VIDA

Agora eu sou a margem indiferente deste rio,
deste rio da Vida, que passa sem me ver...
Agora eu sou um desejo do esperado Fim,
um sonho que ficou por despertar,
uma lágrima apenas que jamais tardou
às chamadas da minha alma doente.
Eu sou o tédio,
O que ambicionou tudo o que não veio...
Eu sou o tédio, eu sou a morte... eu sou o frio...
Alberto de Lacerda

sábado, 4 de junho de 2011

NOVEMBRO

O oiro deste mês é insuportável.

Filho do sol eu não merecia
A abundância destas folhas pelo chão.
2-11-1963

Alberto de Lacerda

quarta-feira, 18 de maio de 2011

IMPROMPTU

E assim te foste, luz de vaga-lume,
feita de segredo e brevidade.
Impossível definir aquele perfume
que o teu surgir me trouxe nessa tarde.

Alberto de Lacerda

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O alto da montanha deixou de brilhar

O alto da montanha era um corpo
Um rosto
Um olhar demorado em seu brilho secreto
E perigoso

O alto da montanha era neve e era fogo

Num dia misericordioso deixou de brilhar
Para mim

Ardera tudo até ao último suspiro

À derradeira lágrima

Londres
24 de Abril 97

Alberto de Lacerda

domingo, 17 de abril de 2011

A manhã é um leque
Branco
Desdobrado até
Aos quatro pontos cardeais

Sol branco
Imperador fraterno
Do azul muito ténue

Yèvre-le-Châtel
25 de Junho 90

Alberto de Lacerda

sábado, 8 de janeiro de 2011

Horizonte

autor: Alberto de Lacerda (Ilha de Moçambique, 20.IX.1928 - Londres, 26.VIII.2007)
título: Horizonte
colecção: «Biblioteca de Autores Portugueses» 
editora: Imprensa Nacional-Casa da Moeda
local: Lisboa
ano: 2001
págs.: 127
dimensões: 24x15x1 cm. (brochado)
impressão: Oficinas Gráficas da IN-CM
capa: desenho de Arpad Szenes
tiragem: 800

domingo, 3 de outubro de 2010

E ficava por vezes assim

Encantado

Londres
9 de Junho 90

Alberto de Lacerda

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A MEIO DO CAMINHO

Fico entre o céu e a terra,
Choro só para dentro.
Sou como a árvore nua
que ao alto os ramos indica:
ergue as asas, mas não voa,
têm raízes, mas não desce.

Alberto de Lacerda

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Oferenda II

autor: Alberto de Lacerda (Ilha de Moçambique, 20.IX.1928 -- Londres, 26.VIII.2007)
título: Oferenda II
edição: 1.ª
colecção: «Biblioteca de Autores Portugueses»
editora: Imprensa Nacional-Casa da Moeda
local: Lisboa
ano: 1994
capa: Armando Alves
sobrecapa: desenho de Júlio Pomar
págs.: 350
dimensões: 24x15,1x2,3 (brochado)
tipografia: IN-CM
tiragem: 1500
obs.: no interior, retrato do Autor por Jean Hugo

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Árvores

O vento inebriado

O piar de certos pássaros

O jardim

O olhar que vai dar continuamente
Ao horizonte

As paredes vetustas

Rosas iluminando
O desmaiar lentíssimo
Da tarde

The Stone Bar
Pilton
19 de Agosto 97
Alberto de Lacerda
s#6

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Este céu peregrino onde viajam
Meus olhos

Estas vozes sem voz que respondem
Ao meu silêncio

Este azul
Nimbado

Estes ciprestes

O cheiro das árvores que penetra
Nas gavetas antigas

O ar que murmura
Paralelo à eternidade:
Piero della Francesca

Piero della Francesca


Cortona,
30 de Jul. de 1969
Alberto de Lacerda
s#1