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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

MAJESTIC CAFÉ

No Majestic meninos (e meninas)
Alargam orelhas
Inclinados no estuque.
Azedam natas.
Bebe-se café à chávena.

Majestic Café.

Vidro lapidado agreste
Incita à entrada
E dentro dos espelhos a cismar
Já não se cospe.
Cuspiu-se na latrina.
Mesmo assim gris
Do sopro saturado do café e
Das risadinhas das almas.

José Emílio-Nelson

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A BANHISTA

O cão afasta a onda
E o pêlo liso imita a foca.
Rebolava. Eriçava-se.
A banhista sorriu.
A bóia
Fugiu-lhe das mãos.

José Emílio-Nelson

terça-feira, 24 de agosto de 2010

OPERA COMMEDIA

2

À entrada, na mesa polida,
O café frio, na chávena. Baloiça, treme, uma bela rapariga
Escreve num postal (com tanto espanto!)
As gatafunhas de ditongos, as vogais rasteiras
Que lemos primeiro no giz da sua pele,
Nos ossinhos dos dedos, tal o esgar.
É tão hamlética, agoirenta, dementada.
Todos a olham (entre os quadriz e o nariz).

José Emílio-Nelson

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

DOMINGO NO BAIRRO

Passeia perto de casa o cão.
Encontro-o há anos no parque.
Num canteiro
Talvez culpa das rosas
O ar é todo urina.

José Emílio-Nelson

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Conheço o turismo dos cemitérios.
Que pouco importa a morte comendo a terra,
Já se ouviu dizer. A que vens?
Ao loureiro umbroso mais a púrpurea hera
A crescer para o céu fascista (de Pound).
À campa (de Morrison)
Aplanada, danificada,
Vigiado por polícias todos crentes
Na ressurreição dos mortos.

José Emílio-Nelson

sábado, 25 de julho de 2009

COMPOSIÇÃO COM ÁRVORES

Aquela ave do sol, e sol das aves, (Jerónimo Baía)

A árvore ainda árvore de sol
Rasga a pisada tela, sobressai régia,
Imprecisa, esfuma-se, rebuscada
Pungente e verdejante a réplica?
Amena a mão ao desenho oferece.
Laivos verdejantes a ampliar a árvore.
O risco incerto impõe a árvore triste.

A árvore alva, luzidia, perla
Na assombrosa descrição afinal calcário leve
De árdua escadaria, profana, disponível
A secura indistinta.
O largo ramo de luz entumecido.

A árvore ainda árvore selecta
Deslumbra ao mover-se da espessura
Da copa airosa o cone aceso (aceso de agreste).
Empobrece.

Rompe-se a cal constante
E de branca inventa a alvura.
Seca a árvore que aparece.

José Emílio-Nelson