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domingo, 3 de abril de 2011
LESLIE -- S.O.S.!
Peço aos teus lábios carnudos que me telefonem.
Etiquetas:
«excitações»,
Fernando Grade
segunda-feira, 21 de março de 2011
HISTÓRIA COM DENTES DE LOBO
Às vezes, acordo muito feliz
sinto-me um verdadeiro campeão:
o meu pai viveu mais tempo que a rainha Vitória.
sinto-me um verdadeiro campeão:
o meu pai viveu mais tempo que a rainha Vitória.
Fernando Grade
domingo, 13 de março de 2011
CHARANGA
Estes soldados de azul passaram para baixo
a ganga frenética, os olhos com ferrugem de rio.
As botas batiam no solo ao som da música,
havia as árvores em fuga e os pássaros,
uma criança de caracóis (o bibe verde...)
levantava voo no açúcar de um sorvete.
Máquinas festivas tecidas de pulmão e trevo
a infância chegava em estátua de barro
um cheiro musguento a uvas e
os trombones subiam na rede, as flautas
rasgavam o medo, as mãos ágeis poisadas
em abeto imaginário: o coração à solta.
Estes corpos suados e com galochas
trazem sargaços no tocar: há uma salsugem
solitária a muitos, beijos de sal que
(rompendo os saxes) adoçam os gestos,
desfazem a mínima gravata e atingem a água
com radar de serpente, água música.
Charanga de metal e sustos onde a pedra rei é mulher
e os soldados vingam-se em saliva de sons.
-- Quem deitou fogo ao piano que não há?
a ganga frenética, os olhos com ferrugem de rio.
As botas batiam no solo ao som da música,
havia as árvores em fuga e os pássaros,
uma criança de caracóis (o bibe verde...)
levantava voo no açúcar de um sorvete.
Máquinas festivas tecidas de pulmão e trevo
a infância chegava em estátua de barro
um cheiro musguento a uvas e
os trombones subiam na rede, as flautas
rasgavam o medo, as mãos ágeis poisadas
em abeto imaginário: o coração à solta.
Estes corpos suados e com galochas
trazem sargaços no tocar: há uma salsugem
solitária a muitos, beijos de sal que
(rompendo os saxes) adoçam os gestos,
desfazem a mínima gravata e atingem a água
com radar de serpente, água música.
Charanga de metal e sustos onde a pedra rei é mulher
e os soldados vingam-se em saliva de sons.
-- Quem deitou fogo ao piano que não há?
Fernando Grade
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«o silêncio»,
Fernando Grade
segunda-feira, 7 de março de 2011
FALA DO ADVOGADO ENQUANTO DON JUAN
Só fico satisfeito
quando as partes se beijam.
quando as partes se beijam.
Fernando Grade
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«excitações»,
Fernando Grade
quinta-feira, 3 de março de 2011
A MATÉRIA DO SONETO
à memória de Artur António da Silva Lino
ao camarada
ao amigo
Este soneto é feito de vertigens,
curvo corvo mordido pelo fogo.
Doze bocas de cidra são virgens
que não voltam mas dizem até logo.
Há corpos enforcados em carroças,
ombros gráceis a arder por sob as tranças.
E mulheres que nunca foram moças
deitam sapos nos olhos das crianças.
Este soneto é beco de poetas,
um pouco de veneno nas tabernas;
aqui rangem fantasmas, morre gente.
Este soneto cheira a meias pretas:
é papoila de cal, sebo das pernas,
oh flor sangrada, ovos de serpente.
ao camarada
ao amigo
Este soneto é feito de vertigens,
curvo corvo mordido pelo fogo.
Doze bocas de cidra são virgens
que não voltam mas dizem até logo.
Há corpos enforcados em carroças,
ombros gráceis a arder por sob as tranças.
E mulheres que nunca foram moças
deitam sapos nos olhos das crianças.
Este soneto é beco de poetas,
um pouco de veneno nas tabernas;
aqui rangem fantasmas, morre gente.
Este soneto cheira a meias pretas:
é papoila de cal, sebo das pernas,
oh flor sangrada, ovos de serpente.
Fernando Grade
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«estesias»,
Fernando Grade
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
O CÃO É O SEU PRÓPRIO PASTOR
O cão é o seu próprio pastor,
disse-te um dia, cansado de tantas nuvens
sorumbáticas. Um pedaço de broa bem mordida
cresce nos dedos, nesses férteis veios de lágrimas
e pomares.
Grinaldas foram as tripas do cão
antes de as nozes da ceia terem sido
uma madeira patética, leite de cabra a arder.
Não sei se a boca é inválida
ou se um linho de cerejas mutilou os dedos
da tecedeira.
Também o madeiro ficou carbonizado
dos joelhos em febre à fronte.
O fim lógico e justo das robínias
e de todos os materiais de cheiro e mel
é uma surdina,
pedra que bate em pedra e rola
e canta e reza trigos bonitos.
O cão castanho, rasgador de céus
é o seu próprio pastor.
Casel -- 1 de Dezembro de 1990
disse-te um dia, cansado de tantas nuvens
sorumbáticas. Um pedaço de broa bem mordida
cresce nos dedos, nesses férteis veios de lágrimas
e pomares.
Grinaldas foram as tripas do cão
antes de as nozes da ceia terem sido
uma madeira patética, leite de cabra a arder.
Não sei se a boca é inválida
ou se um linho de cerejas mutilou os dedos
da tecedeira.
Também o madeiro ficou carbonizado
dos joelhos em febre à fronte.
O fim lógico e justo das robínias
e de todos os materiais de cheiro e mel
é uma surdina,
pedra que bate em pedra e rola
e canta e reza trigos bonitos.
O cão castanho, rasgador de céus
é o seu próprio pastor.
Casel -- 1 de Dezembro de 1990
Fernando Grade
domingo, 19 de setembro de 2010
HÁ LIVROS PERVERSOS QUE MORDEM O PELO DO CÃO
Há livros infelizes que
foram escritos para corroer -- à mosca --
a casta paciência do cão:
o bicho não pode viajar por entre laranjas
nem subir ao céu das árvores
para sonhar mais perto do caos.
O lugar das patas não pode ser denso
e muito menos aquecido por vermes.
Que focinho? Um cheiro possível de algas e
flores ratadas,um sino quebrado.
O animal (sentado) espreita a côdea
que lambe o beato fogo e o bolor.
É um artistas de almas em salmoira
movido a sopas de vinho
-- os pêlos altos, colados às rachas sulfurosas
do muro que foi de giestas.
A barba do cão faz anos
e nesses cabelos a crescer
ficamos todos mais velhos.
Palm -- 18 de Novembro de 1990
Fernando Grade
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